segunda-feira, 16 de abril de 2018

Oiçam o outro como ouvem a música: com o coração

segunda-feira, abril 16, 2018 3 Comments


Há dias em que recuo uns anos na vida e volto ao tempo em que era apenas uma criança. Nessa época, acreditava que, todos juntos, podíamos mudar o mundo. Depois cresci e perdi um pouco da ligação com ele.
Quando nascemos, ninguém nos diz o que vamos enfrentar até ao fim da nossa vida. E se a partir do momento que nascemos estamos a caminhar para a morte, fazemos de tudo para que o tempo que aqui estamos valha a pena. No entanto, são muitos os obstáculos que se colocam no nosso caminho. Desilusões, mágoas, tristezas, dificuldades, doenças,... São muitas as situações que mexem com o nosso íntimo e, consequentemente, com a nossa personalidade. Posteriormente, e como forma de encontrar o trajeto que nos leve à felicidade que tanto desejamos alcançar, tentamos resolver-nos. Procuramos encontrar-nos na enorme imensidão do nosso ser e, por vezes, ao tentar encontrar-nos, perdemo-nos. Perdemo-nos do mundo, do outro, da sociedade... E perdemo-nos de tal forma que mergulhamos no egoísmo daquilo que queremos ser. Esquecemo-nos dos que são conosco. Daqueles que partilham a nossa casa: o planeta.
Hoje, vivemos num mundo muito centrado em nós mesmos. Eu sou um desses casos. A luta incessante pelo que vamos ser amanhã, pelos sonhos que queremos realizar e pelos problemas que temos de superar faz com que nos esqueçamos dos que nos rodeiam. “Cada um tem os seus problemas”, a frase que ouvimos tantas vezes e que é a prova concreta do nosso egoísmo. Todos temos a nossa individualidade, é um facto. Mas não será muito mais fácil partilhá-la com os restantes? Afinal, a casa em que vivemos é uma pequena parcela da enorme casa em que, realmente, habitamos. E essa casa não só é partilhada com a nossa família, como com o restantes habitantes. Essa casa é o planeta que habitamos. E se todos dividimos esse pequeno grande espaço não deveríamos unir-nos num espírito de entreajuda e busca da individualidade e coletividade de cada um?
A empatia é algo que se conquista. E é isso que nos falta. Recuperar a empatia com o outro que há muito perdemos. E, para isso, basta-nos acreditar. Acreditar que não somos ninguém se estivermos sozinhos. E essa solidão pode facilmente esvair-se se largarmos o egoísmo e abraçarmos a união. “Juntos somos mais fortes”, diziam os Amor Electro. É esse o poder da música: dizer-nos a verdade da forma que mais facilmente chega ao nosso coração. E é essa a solução para qualquer conflito: ouvir. Oiçam o outro como ouvem a música: com o coração.

Publicado em Repórter Sombra.

sexta-feira, 6 de abril de 2018

A bondade tem limites?

sexta-feira, abril 06, 2018 4 Comments

A bondade define-se pela inclinação que cada um de nós tem para praticar o bem. É certo que nem sempre conseguimos distinguir o bem do mal, mas mesmo quando erramos a tentar fazer bem, a intenção está lá. E, às vezes, basta existir a intenção para haver bondade.
Todos queremos – ou, pelo menos, deveríamos querer- ser bons cidadãos e bons seres humanos. A bondade ajuda a melhorar o mundo e, se não resolver todos os problemas, ajuda a resolver alguns. Um coração bom é capaz de coisas incríveis e o melhor de tudo é que pode mudar vidas. No entanto, a bondade em demasia também pode trazer desvantagens. A verdade é que tudo tem limites… até as coisas boas. Assim, a questão que se coloca é: qual o limite da bondade?
A resposta parece fácil mas não é. Muitos dirão que o limite é a falta de retribuição, isto porque muitas vezes somos bons e recebemos exatamente o oposto em troca. Outros responderão que o limite é a sinceridade dos nossos atos. Seremos sempre genuinamente bons? Ou, algumas vezes, somos bons porque isso nos vai fazer sentir melhor com nós mesmos? Qualquer uma destas respostas é aceitável. Assim como muitas outras.
No entanto, penso que nunca atingimos realmente o limite da bondade porque quando se é genuinamente bom, não dá para deixar de o ser. Por mais que essa bondade não seja reconhecida, valorizada ou aceitada, quando o somos porque está na nossa natureza não há limites. Podem partir-nos o coração, podem dizer-nos que somos bons demais para um mundo tão cruel, podem fazer-nos sentir que não vale a pena e nós podemos mesmo acreditar que “já chega”. Mas nunca chega. Porque está na nossa constituição e o que nasce connosco dificilmente se altera.
A bondade não tem limites. Há quem ache o mesmo da maldade e com razão. Mas por culpa do mau, acreditamos poucas vezes que o bom também é imparável. Mas é. E ainda bem. Que nunca deixemos de acreditar que o bem pode vencer o mal. Porque pode. Só depende de nós próprios e da genuinidade dos nossos sentimentos.

Publicado em Repórter Sombra.


domingo, 1 de abril de 2018

Até logo, Diamond!

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