segunda-feira, 16 de abril de 2018

Oiçam o outro como ouvem a música: com o coração

segunda-feira, abril 16, 2018 3 Comments


Há dias em que recuo uns anos na vida e volto ao tempo em que era apenas uma criança. Nessa época, acreditava que, todos juntos, podíamos mudar o mundo. Depois cresci e perdi um pouco da ligação com ele.
Quando nascemos, ninguém nos diz o que vamos enfrentar até ao fim da nossa vida. E se a partir do momento que nascemos estamos a caminhar para a morte, fazemos de tudo para que o tempo que aqui estamos valha a pena. No entanto, são muitos os obstáculos que se colocam no nosso caminho. Desilusões, mágoas, tristezas, dificuldades, doenças,... São muitas as situações que mexem com o nosso íntimo e, consequentemente, com a nossa personalidade. Posteriormente, e como forma de encontrar o trajeto que nos leve à felicidade que tanto desejamos alcançar, tentamos resolver-nos. Procuramos encontrar-nos na enorme imensidão do nosso ser e, por vezes, ao tentar encontrar-nos, perdemo-nos. Perdemo-nos do mundo, do outro, da sociedade... E perdemo-nos de tal forma que mergulhamos no egoísmo daquilo que queremos ser. Esquecemo-nos dos que são conosco. Daqueles que partilham a nossa casa: o planeta.
Hoje, vivemos num mundo muito centrado em nós mesmos. Eu sou um desses casos. A luta incessante pelo que vamos ser amanhã, pelos sonhos que queremos realizar e pelos problemas que temos de superar faz com que nos esqueçamos dos que nos rodeiam. “Cada um tem os seus problemas”, a frase que ouvimos tantas vezes e que é a prova concreta do nosso egoísmo. Todos temos a nossa individualidade, é um facto. Mas não será muito mais fácil partilhá-la com os restantes? Afinal, a casa em que vivemos é uma pequena parcela da enorme casa em que, realmente, habitamos. E essa casa não só é partilhada com a nossa família, como com o restantes habitantes. Essa casa é o planeta que habitamos. E se todos dividimos esse pequeno grande espaço não deveríamos unir-nos num espírito de entreajuda e busca da individualidade e coletividade de cada um?
A empatia é algo que se conquista. E é isso que nos falta. Recuperar a empatia com o outro que há muito perdemos. E, para isso, basta-nos acreditar. Acreditar que não somos ninguém se estivermos sozinhos. E essa solidão pode facilmente esvair-se se largarmos o egoísmo e abraçarmos a união. “Juntos somos mais fortes”, diziam os Amor Electro. É esse o poder da música: dizer-nos a verdade da forma que mais facilmente chega ao nosso coração. E é essa a solução para qualquer conflito: ouvir. Oiçam o outro como ouvem a música: com o coração.

Publicado em Repórter Sombra.

sexta-feira, 6 de abril de 2018

A bondade tem limites?

sexta-feira, abril 06, 2018 4 Comments

A bondade define-se pela inclinação que cada um de nós tem para praticar o bem. É certo que nem sempre conseguimos distinguir o bem do mal, mas mesmo quando erramos a tentar fazer bem, a intenção está lá. E, às vezes, basta existir a intenção para haver bondade.
Todos queremos – ou, pelo menos, deveríamos querer- ser bons cidadãos e bons seres humanos. A bondade ajuda a melhorar o mundo e, se não resolver todos os problemas, ajuda a resolver alguns. Um coração bom é capaz de coisas incríveis e o melhor de tudo é que pode mudar vidas. No entanto, a bondade em demasia também pode trazer desvantagens. A verdade é que tudo tem limites… até as coisas boas. Assim, a questão que se coloca é: qual o limite da bondade?
A resposta parece fácil mas não é. Muitos dirão que o limite é a falta de retribuição, isto porque muitas vezes somos bons e recebemos exatamente o oposto em troca. Outros responderão que o limite é a sinceridade dos nossos atos. Seremos sempre genuinamente bons? Ou, algumas vezes, somos bons porque isso nos vai fazer sentir melhor com nós mesmos? Qualquer uma destas respostas é aceitável. Assim como muitas outras.
No entanto, penso que nunca atingimos realmente o limite da bondade porque quando se é genuinamente bom, não dá para deixar de o ser. Por mais que essa bondade não seja reconhecida, valorizada ou aceitada, quando o somos porque está na nossa natureza não há limites. Podem partir-nos o coração, podem dizer-nos que somos bons demais para um mundo tão cruel, podem fazer-nos sentir que não vale a pena e nós podemos mesmo acreditar que “já chega”. Mas nunca chega. Porque está na nossa constituição e o que nasce connosco dificilmente se altera.
A bondade não tem limites. Há quem ache o mesmo da maldade e com razão. Mas por culpa do mau, acreditamos poucas vezes que o bom também é imparável. Mas é. E ainda bem. Que nunca deixemos de acreditar que o bem pode vencer o mal. Porque pode. Só depende de nós próprios e da genuinidade dos nossos sentimentos.

Publicado em Repórter Sombra.


domingo, 1 de abril de 2018

quarta-feira, 28 de março de 2018

domingo, 25 de março de 2018

Música da Semana #105

domingo, março 25, 2018 4 Comments


Já o disse imensas vezes aqui: a Sia é, de longe, a minha artista favorita. Se dependesse de mim seria a artista da semana todas as semanas (risos). Sou uma apaixonada pela voz e pela criatividade dela. Esta é aquela música que ando a cantar pela casa sem parar. 


O que andam a ouvir? Contem-me tudo!

sábado, 24 de março de 2018

Seguir em frente não significa esquecer

sábado, março 24, 2018 5 Comments



Todos somos diferentes. Quando nascemos, nascemos prontos para marcar a diferença e acrescentar algo novo ao mundo. No entanto, não sermos iguais é, muitas vezes, motivo de discórdia e, na pior das hipóteses, de conflito.
As relações humanas não são fáceis. Personalidades distintas podem entrar em “choque” e personalidades idênticas também. Uns pensam de determinada forma, outros de outra. E nem sempre é fácil lidar com a diferença, com pensamentos com os quais não concordamos ou com atitudes que vão de encontro ao nosso modo de vida. Tudo isto pode contribuir para que, consciente ou inconscientemente, nos desiludamos com alguém.
Quando a desilusão aparece são muitos os que tendem a “seguir em frente”. Estas três palavras são constantemente utilizadas com o intuito de esquecer, não pensar mais em determinado assunto ou simplesmente “deixar para lá”. A questão que se coloca é “será que isso acontece mesmo? Seguir em frente é o mesmo que esquecer?”. Para seguirmos corretamente em frente torna-se necessário resolver os problemas que temos com as outras pessoas. Não é à toa que se diz que “a comunicação é a base de tudo”. Assim, comunicar, expor os problemas e tentar solucioná-los é o ponto de partida para seguirmos, de facto, em frente. No entanto, nem sempre é possível solucionar todas as questões. Não podemos nem devemos impor o que quer que seja ao outro e, nesse caso, o melhor é sempre respeitar a forma de estar de outrem assim como a sua forma de lidar com determinadas situações.
Posto isto, não é, de todo, saudável guardar o que quer que seja só para nós. É preciso libertar e dizer, sempre de modo respeitoso, o que temos a dizer antes de irmos embora. Só assim poderemos, realmente, seguir em frente: sem fantasmas, sem ecos ou sentimentos reprimidos.


Publicado em: Repórter Sombra.

segunda-feira, 19 de março de 2018

Opinião: «I, Daniel Blake»

segunda-feira, março 19, 2018 3 Comments


Sou ansiosa. Sou ansiosa até quando acho que não estou a ser. Sou ansiosa até enquanto durmo. A questão é que parte dessa ansiedade surgiu por parte dos outros e da pressão que exerciam sobre mim.
Iniciado o segundo semestre da faculdade, optei por levar um bocadinho da minha história a um trabalho que estou a realizar. A ideia é mostrar a forma como, ao longo da nossa vida, todos sofremos pressão das mais diversas formas e, na maior parte das vezes, essa pressão traz consequências graves e irreversíveis. A ansiedade e a depressão são exemplos dessas consequências.
"I, Daniel Blake" é um filme que retrata muito bem toda esta realidade. Vi-o por sugestão de um professor e não me arrependi. Muito pelo contrário. Para já, o título do filme é muito sugestivo. Afinal, deixa-nos logo com curiosidade em saber quem é Daniel Blake e o que é que ele fez de tão fantástico para dar nome ao filme. Por outro lado, foi fundamental no que diz respeito a esta temática da pressão exercida sobre nós. 
Daniel Blake é um homem na casa dos 60 anos que, após ter sofrido um ataque cardíaco, é considerado pelos seus médicos como sendo inapto para trabalhar. Assim, Daniel passa a viver num drama para sobreviver, já que fica dependente dos benefícios do Estado até recuperar a saúde. O problema é que o Estado não parece muito preocupado com a saúde deste homem e cria-se uma situação preocupante e que parece não ter resolução, o que não ajuda à sua saúde. Desta forma, a história de Blake leva-nos a questionarmo-nos sobre quantas vezes não olhamos ao sofrimento do outro (seja ele físico ou moral) ou não nos preocupamos em perceber de que forma estamos a prejudicar a vida de outrém depositando nela uma pressão que está a ser destrutiva. Isto é visível quando, em determinado momento, ficamos a saber que, apesar dos médicos proibirem Daniel de trabalhar por este estar inapto, o Estado pensa de forma contrária e considera-o apto a trabalhar, não concedendo o benefício para que este possa sobreviver. A par desta problemática ficamos também a conhecer a vida de Kate, uma jovem que luta incessantemente pela sua sobrevivência e dos seus filhos, fazendo coisas que nunca se imaginou a fazer. 
Ao longo do filme, as histórias de Kate e de Daniel entrelaçam-se e acentuam a forma como cada um luta por condições mínimas de vida e os efeitos negativos que a pressão social coloca sobre eles. É um filme emocionante, que nos faz refletir sobre a sociedade e o ser humano enquanto ser individual mas que depende da vida em sociedade. Se estivermos bem atentos e mergulharmos fundo na história percebemos que o Daniel podia ser o nosso pai, o nosso amigo, o nosso vizinho da frente... Percebemos ainda mais fortemente que há muitos Daniel's espalhados pelo mundo fora e que, tal como a personagem, podem acabar por ceder àquilo que os atormenta.


Já viram este filme? O que acham? :)

domingo, 18 de março de 2018

domingo, 4 de março de 2018

Isabela Nóbrega: «Gosto de saber que cada pessoa que ouve as minhas músicas tem a possibilidade de imaginar diferentes cenários»

domingo, março 04, 2018 5 Comments

Prometeu e cumpriu. Em 2014, vimos Isabela Nóbrega pisar o palco do programa Factor X, na SIC. Terminada a sua participação, ficou a promessa de continuar a lutar por um lugar no mundo da música e um álbum a solo. Quatro anos depois, a jovem de Oeiras vê esse objetivo concretizar-se.
Young é o nome do primeiro álbum de Isabela que se baseia “numa viagem no tempo” na vida da cantora. A jovem não só é a voz do álbum, mas também é quem toca todos os instrumentos, compõe e escreve as letras. No entanto, não deixa de mencionar a enorme importância que o seu irmão, Gualter Sal, teve na realização deste CD ao ficar “encarregue de fazer a mixagem e masterização do álbum”.


Fotografia gentilmente cedida por Isabela Nóbrega


Passaram quatro anos desde a tua participação no programa Factor X. O que é que mudou desde então?

Essencialmente, tenho trabalhado no meu novo álbum, em promover, começar a tocar ao vivo e fazer uma possível "tour".

As pessoas ainda te reconhecem como a Isabela que participou num concurso de talentos ou sentes que ao longo destes anos foste conseguindo chegar a elas com outra identidade?
A televisão é um meio de comunicação muito poderoso. Apesar de já terem passado estes quatro anos, há sempre alguém que diz: "conheço-te de algum lado!?" ou vem falar comigo devido ao programa. Porém, eu quero ser reconhecida como Isabela, a artista e não como "Isabela, a rapariga que participou no Factor X" (risos).

2018 está marcado pelo lançamento do teu primeiro álbum . Porquê Young?
Young é um álbum que se baseia numa viagem no tempo desde a minha infância até me tornar adulta. Este título surgiu da reflexão sobre o que é o tempo, como o tempo passa, o que fazemos e deixamos neste mundo. Young é uma autorreflexão da minha vida e das experiências que vivi ao longo desta.

Neste álbum és tu quem toca todos os instrumentos, canta, compõe e escreve as músicas. Basicamente, fazes tudo. É importante que o teu disco de estreia seja completamente teu para refletires quem realmente és?
Não necessariamente. Sempre gostei de fazer tudo sozinha, não para refletir quem eu sou, mas porque adoro aprender variados instrumentos, ou seja, saber fazer de tudo um pouco. No entanto, é importante mencionar o trabalho do meu irmão, Gualter Sal que ficou encarregue de fazer a mixagem e masterização do álbum. 

Esse foi também o motivo por teres apostado no indie-pop, porque é um estilo que te caracteriza?
Quando comecei a fazer o álbum não pensei que se iria inserir no indie-pop, pensei apenas em fazer músicas que me soassem bem e que eu gostasse de fazer. Como sempre ouvi de tudo um pouco, acho que é importante um artista não se limitar a um género, ou fazer músicas para soarem a um certo estilo. Ao aproximar-me do processo final do álbum, seguindo uma certa linha melódica, reparei que no geral fazia sentido o mesmo encaixar-se nessa categoria.

Em 2015 lançaste o teu primeiro single, “A Thousand Miles”, que consta também neste álbum. Isso é importante para trazer a Isabela de há três anos para o agora?
Bem, a Isabela de há três anos atrás mudou muito. No entanto, "A Thousand Miles" foi uma música que gostei muito de fazer, encaixa-se no registo de Young e é a faixa mais acústica que o álbum tem. Como as restantes são mais mexidas, achei que esta se enquadrava perfeitamente.

Quais foram as tuas inspirações para estas composições?
Eu inspiro-me nas coisas do dia-a-dia, em pormenores. Acho que tudo pode servir de inspiração visto de uma certa perspetiva.

E existe alguma relação entre todas as músicas, há alguma linha que tenhas seguido durante a sua construção?
Cada música tem a sua história. Gosto de saber que cada pessoa que ouve as minhas músicas tem a possibilidade de imaginar diferentes cenários, assim como eu imaginava ao ler livros enquanto criança.

Porque é que as pessoas têm mesmo de ouvir este álbum?
Agradar a gregos e a troianos é impossível. No entanto, acredito que, da mesma maneira que eu me identifico com alguns artistas que adoro, as pessoas podem ouvir o meu álbum e identificarem-se com as mensagens que transmito.

Fotografia gentilmente cedida pela Isabela Nóbrega


Entrevista publicada em MiraOnline


terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Estudar: opção ou obrigação?

terça-feira, fevereiro 20, 2018 5 Comments


Estudar é a palavra que mais nos acompanha ao longo do nosso crescimento. Quando somos adolescentes nem sempre a valorizamos, mas quando crescemos somos os primeiros a inseri-la no vocabulário dos nossos filhos.
A verdade é que, desde muito cedo, somos aconselhados a estudar. Segundo os nossos pais, quanto mais estudarmos melhor será o nosso futuro. Vamos crescendo e vamos lutando por alcançar todos os nossos objetivos. Mas até que ponto esses são, realmente, objetivos nossos? E até que ponto a pressão do estudo não traz consequências negativas? Todos os pais querem o melhor para os seus filhos e os estudos estão, sem dúvida, no topo da lista de prioridades. Alguns planeiam colocar os filhos nas melhores escolas mesmo antes destes nascerem, o que mostra a relevância que é dada a esta questão. Mas porque é que isto acontece?
Estudar é cada vez mais importante e é essencial transmitir esta importância aos mais novos. No entanto, não são raros os casos em que esta pressão causa ansiedade, nervosismo e até mesmo sofrimento. A pressão de ter boas notas aliada ao pensamento do que será o futuro causa, muitas vezes, ansiedade nos jovens e, consequentemente, um sofrimento que pode ter consequências irreversíveis. Na maior parte das vezes não nos apercebemos que o incentivo em excesso pode realmente afetar o psicológico de um jovem que se esforça todos os dias para ter o melhor desempenho possível nos estudos. Estudar traz benefícios mas quando atinge grandes níveis de stress pode causar perda de peso, insónias e até mesmo depressões. Por isso, e para que este seja um hábito saudável, é necessário estar atento a todos os sinais, o que não impede que continuemos a motivar os jovens a estudar.
Neste sentido, a questão que se coloca é “como motivar sem gerar demasiada pressão?”. A resposta pode ser mais simples do que pensamos: não exigir mais do que a outra pessoa pode dar; não querer que entre em competição com os outros, mas consigo mesmo; não obrigar a seguir o “melhor” caminho, mas o caminho que o faz feliz. Se entendermos que somos mais eficazes quando fazemos o que mais gostamos, vamos saber transmitir esses valores às gerações futuras. Com a paixão e sem a pressão de “ter de fazer de determinada forma”, os resultados serão mais positivos e o desempenho cada vez mais produtivo.

Artigo publicado em Repórter Sombra.


domingo, 11 de fevereiro de 2018

domingo, 4 de fevereiro de 2018

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

É já amanhã!!

quinta-feira, fevereiro 01, 2018 8 Comments

A partir de amanhã, 2 de fevereiro, o primeiro álbum de originais do Paulo Sousa vai estar à venda nas lojas. "Todos os Dias", "Onde Quero Estar" e "Não me Deixes Ir" são algumas das muitas músicas que fazem parte deste CD. 
Para além disso, após o lançamento do álbum, segue-se uma tour de showcase FNAC, com direito a Meet&Greet. Os primeiros 50 fãs a chegar ao Meet&Greet com o CD vão receber uma t-shirt autografada pelo artista. Por isso, apressa-te e fica atento às redes sociais do Paulo. :)

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

É verdade, estou de volta!

segunda-feira, janeiro 29, 2018 6 Comments

Há cerca de quatro meses atrás, não sabia muito bem onde estaria agora. 
Há muitas pessoas que têm medo do futuro. Eu sempre tive uma certa curiosidade. Mas a verdade é que, em Setembro, pela primeira vez, senti medo. Depois de me licenciar não sabia o que se seguiria. Acho que só aí me mentalizei que era uma adulta e precisava de tomar decisões. E, bolas, eu odeio tomar decisões. Não é ter que as tomar, na verdade. Essa é a parte fácil. Difícil é conviver com o que quer que seja que tu decidas. "Se eu fizer isto e não aquilo e depois correr mal?", pensava eu. Por isso, durante o último semestre do meu último ano, a minha cabeça andava tão às voltas que pensei que não me ia conseguir licenciar por não ter cabeça para estudar sequer. Não sabia o que fazer a seguir. Na verdade, sempre soube o que queria fazer, o que me tirava o fôlego e aquilo que me ocupava o coração por inteiro. Só não sabia o que fazer para lá chegar. E se errasse o caminho? 
Quase no final do semestre, tomei a decisão de continuar a estudar. Sabia que a minha saúde não ia melhorar ao fazê-lo e que ficar sossegadinha no meu canto ou a distrair-me com outras atividades seria a melhor opção para o cansaço que o meu corpo já acusava. "Mas e a minha mente?", pensava eu. Sabia que se não continuasse, o meu psicológico iria ficar completamente apagado. Então segui o que o meu coração pedia e esqueci o resto do corpo.
No primeiro mês no mestrado tive a certeza de que era a maior sortuda do mundo por ter conseguido algo que queria tanto. Mas a carga de trabalho e o cansaço que me assombrava há 3 anos fizeram-me pensar, muitas vezes, que não ia conseguir. Tive medo de desistir quando lutei tanto para ali estar. Não conseguia concentrar-me nas tarefas porque o meu cérebro não conseguia pensar em nada. Estava exausta. Perto das avaliações decidi que não. Mas estava a gostar tanto de ali estar, não podia deixar as tarefas por cumprir. Então, contrariei-me. Contrariei o meu corpo e, mais uma vez, não deixei as minhas pernas falharem e treinei o meu cérebro a esperar mais um bocadinho até entrar em mood descanso.
Hoje, é dia 24 de janeiro e eu não podia estar mais feliz. Estou onde queria estar e a fazer aquilo que queria fazer. As noites em que adormeci a chorar de dores não se comparam às lágrimas que verti de felicidade por poder fazer aquilo que mais amo. Há tanta gente que não tem essa oportunidade, não é? 
A última semana foi a mais exaustiva que tive na vida. Como o cansaço não me deixou dar o que queria ao longo do semestre, deixei tudo acumular para a última semana. "Estou perdida. Não vou conseguir sequer entregar nada a tempo", pensei. Achei injusto estar a fazer o que me apaixona e correr o risco de não cumprir uma única tarefa das que me foram propostas. Até que me mentalizei que nem sempre tudo corre como queremos. Não podemos fazer tudo de forma organizada, a horas certas e no tempo a que queremos. Às vezes temos de adiar e pensar em nós. Descansar, chorar e pensar "será quando tiver de ser". Mas isso não significa que não vai acontecer. E quando me mentalizei disso, pus mãos à obra. A uma semana das entregas, levantei-me e decidi que ia não só fazer tudo o que tinha a fazer, como ia ficar orgulhosa do meu trabalho. Foi uma semana horrível, é verdade. Mas ao mesmo tempo tão, mas tão boa! Não falei com praticamente ninguém, não peguei no telemóvel mais do que uma hora por dia, não abri o facebook ou ouvi música. Fui só eu, a Sofia e o meu computador. E foi incrível! Cada palavra que escrevia me fazia sentir realizada. Vocês, que acham que as letras não interessam, nem imaginam a beleza que estão a perder. Conjugar palavras, construir frases, organizar pensamentos... É a melhor coisa do mundo. Dormi 4h por dia, adormeci a chorar todas as noites porque não aguentava as dores nas costas e o peso que tinha nos olhos. Os pássaros começavam a cantar e eu e a Sofia íamos dormir e, dali a 4h, lá estávamos nós outra vez. Comemos muitas vezes comida improvisada e fazíamos turnos para tomar banho. "Primeiro vais tu e eu faço isto e depois vou eu e tu fazes o resto", combinávamos. E resultou. Ao início desta tarde entreguei o último trabalho desta primeira fase e foi uma descarga de energia que ninguém imagina. E o melhor de tudo? Sinto que não podia estar melhor. Estou orgulhosa de mim mas, mais do que isso, estou orgulhosa do que eu e a Sofia fizemos juntas. Nunca conheci ninguém que lutasse tanto quanto eu. Sabia que se eu quisesse lutar seria difícil convencer outro alguém a ficar acordado até às 6h da manhã ou não comer em condições. Desistir é mais fácil quando "se pode fazer para o ano". Mas eu não gosto de desistir. E sabia que a minha parceira também não. E é por isso que eu nos amo. Porque somos lutadoras e juntas fazemos tudo. 
Não sei o que estaria a fazer se naquele dia tivesse desistido de enviar aquela candidatura e, sinceramente, não quero saber. Hoje, estou no sítio onde queria estar. Hoje, consegui fechar uma primeira etapa de muitas que ainda estão por vir. E agora, finalmente, vou dormir em paz e aproveitar o meu merecido descanso.


Isto tudo para vos dizer que, depois de umas semanas inativa, estou de volta ao blog <3

domingo, 14 de janeiro de 2018

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

O uso de uniforme nas escolas

quarta-feira, janeiro 10, 2018 8 Comments


Há uns dias, li um artigo sobre o uso de uniformes nas escolas e a eventual melhoria que isso provoca na aprendizagem. Depois de fazer uma pesquisa mais aprofundada, percebi que há opiniões bastante distintas acerca deste assunto.
Há, então, quem defenda que usar uniformes na escola poderá contribuir para uma melhoria na aprendizagem. Mas até que ponto será isto verdade? Até que ponto o uso do vestuário influencia a forma como absorvemos todos os ensinamentos? Sinceramente, sou defensora da outra teoria. Penso que o uso dos uniformes por parte das escolas não altera ou favorece em nada a aprendizagem. Acredito que isso possa saber benéfico, sim, a nível social, na medida em que há a igualdade no que diz respeito à nossa aparência. Não há distinções entre “bem vestidos” e “mal vestidos” (que são denominações que nem sequer deviam existir) e todos se apresentam exatamente da mesma forma, não dando espaço a comentários de superioridade só porque uns usam Adidas e Lacoste e os outros não.
No entanto – e não digo que sou contra os uniformes porque, sinceramente, não penso que acarretem resultados negativos-, penso que mesmo deste ponto de vista da igualdade, os benefícios não são assim tantos. Isto porque, na minha opinião, não é camuflando os problemas que eles se resolvem. Há competição porque uns vestem roupas caras e outros não? Não é ao vestirmos todos os miúdos de igual nas escolas que isso vai mudar. Sim, treinamos a mentalidade deles e tentamos transmitir-lhes que isso não importa. Mas a escola é apenas uma parcela de uma vida inteira. Fora dela continuam a existir Adidas, Nike, Lacoste e tantas outras marcas que, para uns são indiferentes, mas, para outros, são uma meta a ser alcançada. Portanto, mais do que pelo vestuário (neste caso, os uniformes) essa mensagem deve ser transmitida por toda a comunidade e, obviamente, na educação. E até que ponto é que isso não passa exatamente por deixarmos cada um vestir o que quer? Não estaremos nós a combater um preconceito através de outro quando os “obrigamos” a vestirem determinadas roupas só para “estarem ao mesmo nível”?
Esta é uma questão que vai sempre gerar alguma controvérsia. Por um lado, defende-se o uso dos uniformes nas escolas e há quem acredite que isso devia ser uma regra a seguir em todas as escolas, públicas ou privadas. Por outro, há quem acredite que não há qualquer vantagem em tudo isto. No meio de tudo isto, a maior verdade é a de que continuam a existir preconceitos relativos ao vestuário. E essa é, certamente, uma das problemáticas mais difíceis de serem alteradas.

Publicado em Repórter Sombra

domingo, 7 de janeiro de 2018

Música da Semana #100

domingo, janeiro 07, 2018 11 Comments


Olá, Diamonds! Estou de volta e com a música número 100! 
Pois é, sei que desde que entrei para o mestrado não tenho tido muito tempo para vir aqui. No entanto, não posso deixar escapar um Domingo sem esta rubrica. E, em particular, hoje porque é o dia de eleger a música número cem do blog!
Pensei muito sobre qual foi, de facto, a música que me marcou mais esta semana. E a verdade é que a minha escolha recaiu sobre a "Risk it all" dos The Vamps. Andei a semana toda com ela na cabeça, cantei-a pela casa, no duche, no carro, em todo o lado. Adoro a letra, é simplesmente perfeita e a melodia é merecedora de estar nesta categoria do blog. Sei que muita gente não a conhece, por isso, espero que a oiçam com carinho e que vos transmita tanta emoção como me transmite a mim. :)

Até logo, Diamond!

Obrigada pela visita!
Volta Sempre :)