sábado, 19 de agosto de 2017

Blind Zero: «Se calhar é o disco que nos dá mais gozo ouvir de todos os que já fizemos.»

sábado, agosto 19, 2017 0 Comments
Piruka, You Can’t Win, Charlie Brown, Blind Zero e Capitão Fausto estiveram presentes no segundo dia do Douro Rock, em Peso da Régua. Os Blind Zero pisaram o palco em terceiro lugar, numa atuação onde não faltou energia, boa disposição e muito rock! 
Prestes a lançar o seu próximo álbum, Often Trees, a banda composta por Miguel Guedes, Nuxo Espinheira, Pedro Guedes, Vasco Espinheira e Bruno Macedo levou ao público ao rubro. “Blind Zero sempre no seu melhor” ou “Os anos passam e estão cada vez melhores” foram os comentários mais utilizados para descrever o desempenho da banda portuense.

Horas antes do concerto, o Miguel e o Vasco estiveram à conversa conosco acerca deste novo álbum e das expectativas para o festival de Peso da Régua.



Os Blind Zero estão aqui porque vão atuar no Douro Rock. Quais as expectativas para logo à noite?
Miguel: São grandes, porque nós estamos quase a editar um disco novo que se chama Often Trees e estamos a testar algumas canções ao vivo deste novo disco. O que até agora tem acontecido é uma reação muito boa das pessoas e nós também ainda estamos muito emocionais em relação àquilo que fizemos agora de novo. É um disco que está completamente pronto, com dez canções e se calhar é o disco que nos dá mais gozo ouvir de todos os que já fizemos.

Vocês disseram algures que gostam sempre de terminar os concertos com a música com que tudo começou. Portanto, nós já sabemos como é que vai terminar o concerto logo à noite... (risos)
Miguel: (risos) Pode haver surpresas, atenção! Isso é verdade em 99,9% das vezes, mas há aquele 0,1% (risos). Não sei, nós temos um alinhamento delineado mas não é certo que terminemos da mesma maneira, porque nós vamos mudando algumas coisas de concerto para concerto e, preferencialmente, no próprio dia. Vamos ver o que acontece logo à noite!

Falando agora do vosso novo álbum. O Miguel referiu há pouco que vocês estão prestes a lançar o vosso próximo disco. You Have Won é o primeiro single. Como é que tem sido a reação do público?
Vasco: Acho que têm reagido muito bem porque, por mensagens que vamos recebendo nas redes sociais e do “boca-a-boca” das pessoas, elas (as pessoas) têm gostado e achado piada a uma nova cara dos Blind Zero e isso acho que, para nós, é o mais positivo. Ao fim de vários anos conseguirmos fazer coisas diferentes daquilo que é o expectável, acho que é o mais interessante que pode haver numa banda nesta altura.

E o que é que vão trazer de inovador? Porque dizem que querem mostrar uma banda numa nova dimensão neste disco...
Miguel: É um disco que nós nunca fizemos ao longo de vinte e tal anos de percurso. Não só por ser um disco, naturalmente, com canções novas, mas também por ter uma estética que nós nunca abordamos desta forma. Parece-me que, de alguma maneira, acaba por recuar um pouco ao que foi o início dos Blind Zero, ou seja, a uma carga sonora mais forte e mais densa. Um disco mais rock, mas que não é um disco rock’n’roll. É um disco com uma atitude rock, mas que passa por outros ramos. É um disco mais pesado nesse sentido e aproxima-se um bocadinho daquilo que nós fizemos naquele primeiro terço do nosso percurso entre 1995 e 2001. Para além disso, naturalmente não é um disco dessa altura. É um disco dos tempos de agora e com um som e uma abordagem que me parecem muito nossos. Há ali uma negritude que nós já não tínhamos há uns bons anos. Acho que, agora, as coisas passam mais pelo coração.

Os Blind Zero existem há mais de vinte anos. Existe, por isso, essa necessidade de reinventar?
Vasco: Sim, claro que sim. Acho que aquilo que mantém as bandas saudáveis é a reinvenção. Se pensarmos no percurso da história rock, poucas foram as bandas que ficaram muito tempo e que se conseguiram reinventar. Pode ser uma reinvenção mínima, mas é extremamente importante de fazer porque, dessa forma, sentes que estás a ser produtivo, sentes que estás a caminhar no desconhecido. E isso é aquilo que dá adrenalina... Tu conseguires entrar num sítio que não reconheces, que não estás confortável, onde em cada curva, atrás de cada pedra, tens algo que pode ser uma supresa. E, traduzindo isto para música, as músicas têm todas um bolão de experimentação dentro delas que faz com que não seja aquela fórmula típica da música. Tentámos quebrar um bocadinho com esses paradigmas todos e isso mantém a banda ativa, interessante e motivada, acima de tudo.

E sendo uma banda com mais anos de existência, como é que vêem as bandas que têm surgido mais recentemente? Hoje, por exemplo, vão atuar com bandas mais recentes no palco do Douro Rock...
Miguel: Hoje é uma noite em que nós queremos ver os concertos do início ao fim. Para nós que somos músicos e que, acima de tudo, somos amantes de música, ver bandas como os You Can’t Win Charlie Brown ou os Capitão Fausto é uma coisa muito boa. É muito reconfortante porque ouvimos música que gostamos, temos a oportunidade de partilhar também o palco com eles... E acho que são projetos maravilhosos e este cartaz do Douro Rock é uma prova muito clara de que é possível fazer cartazes só com bandas portuguesas. É muito engraçado ver aqui um festival só com bandas portuguesas e perceber que no primeiro dia estiveram cerca de 5.000 pessoas. É sinal de que isto faz todo o sentido, porque o cartaz é muito interessante.

Há um ano, eu perguntei ao Miguel qual era o seu álbum preferido dos Blind Zero e disse-me A Way To Bleed Your Lover. Agora pergunto-lhe se não vai passar a ser o Often Trees?
Miguel: (risos) Eu acho que corro sérios riscos de este ganhar alguma proeminência, sabes? Porque o A Way To Bleed Your Lover, como eu te disse há um ano atrás, é um disco que, para mim, traça um bocado a bissetriz do que são os Blind Zero. A densidade, algum peso mas também algum apelo rítmico, alguma carga melódica, introspeção e também alguma luz que começou a aparecer nesse disco e que, depois, no The Night Before and a New Day, foi mais clara. Este disco é um disco que acho que nos reconcilia um bocadinho com a nossa génese, com as nossas perturbações absolutamente patéticas (risos), mas ainda assim existentes e que sempre nos guiaram ao longo deste percurso. É um disco mais negro, mais denso, mais perturbado e mais policial, às vezes. Policial do coração, como se tivesses um polícia a correr nas artérias (risos). E isso é muito bom. Para nós, que temos uma banda há muitos anos, sentir que ainda conseguimos dizer coisas com alguma vitalidade e sentirmo-nos válidos e depois termos pessoas que nos ouvem é uma coisa maravilhosa. E isso não é possível fazendo coisas iguais e se calhar não é possível fazendo coisas parecidas. Portanto, acho que é um disco arriscado e mais difícil porque as pessoas podem gostar mais ou gostar menos. É mais complexo mas é um disco excitante.
Vasco: E sentimo-nos uma banda nova. Isso é que é o objetivo. É a cada disco sentirmo-nos como uma banda nova. É sentires-te como se este fosse o teu primeiro disco. Acho que é esse o sentimento que temos de passar para a máquina, digamos assim, conseguir progredir. Este é o primeiro disco, depois vai haver outro primeiro disco, e assim sucessivamente.

É o inovar sem nunca perder a identidade...
Miguel: Sim, eu acho que é bom manter a identidade porque, se houver uma razão para mudar, a identidade está lá. E nós sempre tivemos razões, muitas vezes emocionais, claras para mudar as coisas. E esse sentido de que fizemos um disco e termos a clara ideia de que este disco nos vai permitir ficar para fazer outro, isso é muito importante.



“You Have Won” é o single de avanço de Often Trees, próximo álbum dos Blind Zero a ser lançado em outubro. 

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

GNR: «Foi muito interessante e um espetáculo muito alegre e simpático»

sexta-feira, agosto 18, 2017 2 Comments
“Alegre” e “simpático” foram as palavras usadas por Rui Reininho para descrever o espetáculo do passado dia 11 de agosto. Os GNR foram a terceira banda a subir ao palco do Douro Rock, na segunda edição do Festival de Peso da Régua.
A banda, que já conta com mais de trinta anos de existência, pôs o público todo a cantar as suas músicas num espetáculo onde faltou tudo menos animação.

Pouco tempo depois do concerto, tive a oportunidade de conversar durante alguns minutos com Rui Reininho que, para além de me revelar como correu o espetáculo, ainda me falou um pouco acerca do percurso dos GNR. 


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Estamos aqui a conversar porque os GNR estiveram agora mesmo a atuar no Douro Rock. O concerto correspondeu às expectativas?
Rui: Sim, sim! Foi muito interessante e um espetáculo muito alegre e simpático!

Os GNR já existem há mais de trinta anos. Ao longo destes anos, e continuando na indústria musical, nota alguma diferença no panorama da música em Portugal?
Rui: Nenhuma (risos). Claro que se alterou muita coisa. Este tipo de espetáculos não seria possível há trinta e tal anos. Se algum mérito os GNR tiveram foi por sermos nós –e muitas outras bandas- a concorrermos um bocadinho para que estes e muitos outros festivais tivessem já um bom palco, um bom som e nem calculam como isto era há trinta anos atrás.

E, para uma banda que já atua há tantos anos, como é estar no mesmo palco que bandas que nasceram mais recentemente? Como, aliás, é o caso dos Bed Legs que atuaram há pouco...
Rui: Terá que ser sempre assim. Já noutros palcos e noutros festivais acontece gente com dezassete/dezoito anos que já fazem espetáculos extraordinários! E, claro, também o caso da Marta Ren, que já chegou a atuar connosco, fez um excelente espetáculo. E os Linda Martini também... Uma das melhores bandas portuguesas!

Por falar em jovens, como é que se sente por saber que a geração mais jovem aprecia a vossa música?
Rui: É muito lisonjeiro, é super simpático... Eu também gosto de outros tipos de música e espero que os jovens sejam abertos a várias outras coisas. E um bocadinho de conhecimento do que já havia não faz falta nunca. Não ocupa espaço!

Mas, quando vocês escrevem as vossas músicas, há uma preocupação em chegar também aos mais jovens?
Rui: Não. Mentiria se dissesse que há essa preocupação, porque senão podíamo-nos sentir assim um bocado uns “velhinhos modernos”, não é? (risos). Não vamos atrás das últimas novidades. Eu até costumo brincar e dizer que não vamos atrás de “Despacitos”, porque não sabemos (risos). Não sabemos fazer, infelizmente, êxitos para quatro milhões de pessoas, senão fazíamos (risos).


O espetáculo começou pouco depois da meia noite. A multidão instalou-se. Os GNR tocaram e o público respondeu com aplausos, mostrando que a banda com mais de trinta anos continua a conquistar todos os lugares por onde passa.



quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Bed Legs: «Testar novas paisagens, novas texturas e novos ambientes.»

quinta-feira, agosto 17, 2017 2 Comments
No passado dia 11, começou a segunda edição do festival Douro Rock, em Peso da Régua.
Os Bed Legs foram os primeiros a entrar em palco. Energia foi a palavra-chave deste concerto, onde faltou tudo menos rock! O Fernando (na voz), o Tiago (na guitarra), o Hélder (no baixo), o David (na bateria) e o Leandro (nas teclas) abriram o festival deste ano da melhor forma, levando o público ao rubro. Uns saltavam, outros gritavam, outros observavam atentamente o desempenho da banda formada em 2011.

Depois do espetáculo, tivemos a oportunidade de estar à conversa com o Fernando e o Hélder, que nos falaram um pouco do percurso da banda de Braga e do que sentiram ao atuar, pela primeira vez, no Douro Rock.


Vocês começaram, enquanto Bed Legs, em 2011. Já se passaram seis anos. O que é que sentem que mudou no panorama musical em Portugal desde então?
Fernando: Eu acho que as coisas continuam muito parecidas. Há mais festivais, há mais bandas, canta-se mais em português se calhar...
Hélder: Apoia-se mais as bandas portuguesas. Tem havido mais festivais e mais oportunidades.

Sendo vocês uma banda mais recente, como é que se sentem a atuar, por exemplo, com os GNR no mesmo festival? Eles que são uma banda mais antiga...
Fernando: É um espetáculo! Quer dizer que o nosso trabalho árduo deu frutos. Todas as bandas que têm sucesso agora também começaram como nós e trabalharam arduamente para chegar onde estão. E se nós estamos a tocar em palcos como estes, ao lado destes artistas grandes, quer dizer que alguém da organização ou os media reconheceram algum valor em nós.

Dizem que são uma banda com um “som crú”. O que querem dizer com isso?
Fernando: Queremos dizer que é um som que sai da alma. Não é um som muito tratado. É um som de impacto sem grandes ornamentos.

O simples cativa mais...
Fernando: Sim. Não quer dizer que às vezes seja fácil, mas é um som que não tem muito floreado. Às vezes até pode ser previsível, e acho que é um som que não foi cozinhado, basicamente. Mas que sabe bem na mesma. É tipo sushi (risos).
Hélder: Al dente (risos).

Em 2016, os Bed Legs lançaram o Black Bottle. Como é que este disco tem sido recebido pelo público: conseguiram transmitir a mensagem que queriam?
Fernando: Acho que até conseguimos mais do que pensávamos conseguir!
Hélder: Tem quase dois anos e continuamos a tocar à custa desse cd. Mais este ano do que no ano passado até, o que é uma coisa surpreendente. Temos a agenda preenchida.

E tendo em conta esse sucesso, vocês já pensam no que vem a seguir ou preferem viver um dia de cada vez?
Fernando: As duas coisas. Mas já estamos a planear! Estamos a planear e a fazer um novo álbum, mas também não queremos ir com muita pressa. Queremos trabalhar melhor e não fazer mais à pressa como fizemos no primeiro álbum. Se calhar queremos experimentar mais. Testar novas paisagens, novas texturas e novos ambientes.

Nós estamos aqui a conversar porque vocês acabaram de atuar no Douro Rock. O concerto correspondeu às expectativas?
Fernando: Às vezes vamos tocar a sítios onde nos sentimos um bocado descontextualizados, porque às vezes as bandas não são do mesmo estilo ou as pessoas, aparentemente, parecem não estar muito naquele mundo. Mas, aqui, no Douro Rock é mesmo isso: rock! Vamos tocar o nosso estilo e as pessoas que gostam de ouvir rock se calhar até vão curtir. As pessoas aderiram bem. Vimos algumas ali à frente a saltar, pessoas lá atrás a verem (o concerto) com atenção. Não foram embora, por isso acho que foi positivo (risos).


Depois do festival em Peso da Régua, segue-se o Rock In Rua (Arco de Baúlhe) e o Suave Fest (Guimarães).


domingo, 13 de agosto de 2017

Realizações de 2017 #6

domingo, agosto 13, 2017 3 Comments
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A segunda edição do Douro Rock foi um sucesso! Blind Zero, Marta Ren, Piruka, Linda Martini, You Can't Win, Charlie Brown, Bed Legs, GNR e Capitão Fausto foram os nomes que, este ano, se fizeram ouvir no Festival de Verão, de Peso da Régua.
Foram duas noites incríveis com os melhores concertos! Claro que, no concerto dos Blind Zero, lá fui eu para a primeira fila. E foi tão fantástico! Eles são incríveis! No entanto, não posso não manifestar a minha surpresa com os You Can't Win, Charlie Brown. Conhecia pouco deles e nunca os tinha visto ao vivo. Mas a verdade é que fiquei agradavelmente surpreendida e adorei o concerto!
Para além dos concertos fantásticos a que assisti nestas duas noites, ainda tive a sorte de entrevistar alguns dos artistas que por lá passaram. Blind Zero, You Can't Win, Charlie Brown, Bed Legs, Capitão Fausto e GNR estiveram à conversa comigo no backstage e, em breve, terei o prazer de partilhar convosco todas estas entrevistas. Por isso, já sabem, fiquem por aí e acompanhem todas as novidades do blog! :p

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Os filmes desenham os heróis que faltam na realidade

sexta-feira, agosto 11, 2017 6 Comments

A literatura está coberta de heróis nas suas histórias. E todos eles têm as mesmas características: serem corajosos e mostrarem-nos de que é feito um verdadeiro herói. Seguimo-los por toda a parte a aguardamos ansiosos o filme seguinte. Mas porque é que precisamos tanto deles?
Há uns dias estava a ver críticas a um filme e reparei que a maior parte dos comentários falavam do desempenho de determinado ator que não tornou a personagem tão heróica quanto deveria. Parei e pensei “porque é que procuramos tanta perfeição na ficção se ela é apenas isso, ficção?”. Depois percebi que nós procuramos nos livros, nos filmes e nas histórias em geral tudo aquilo que gostávamos que fosse a realidade. Desejamos que aquele casal apaixonado fique junto no final, que a senhora vença o cancro e que o vizinho da frente deixe de fazer barulho porque incomoda a criança. E tudo isto porque são coisas que, no dia a dia, era bom que acontecessem: nós sermos felizes com o amor da nossa vida, a nossa tia vencer a luta contra o cancro ou o vizinho da frente deixar-nos dormir em paz. E, nesse aspeto, os heróis têm o papel mais fundamental de todos: fazer-nos acreditar. Eles representam-nos. Representam a nossa vontade de sermos melhores, de sermos corajosos e vencermos cada vilão que vai aparecendo na nossa vida, seja ele uma pessoa, uma doença ou outra coisa qualquer. Na verdade, passamos uma vida inteira à procura de sermos completos e realizados. Mas a vida é cheia de cenas cruéis que, tal como nas histórias, nos tentam destruir. Mas cabe-nos a nós a luta pelo final que queremos ver no nosso próprio filme. O problema é que nem sempre temos a força necessária para lutar pelo final que tanto desejamos. E, nesses momentos, os heróis que conhecemos na literatura ou nos filmes são tudo aquilo que gostávamos de ser. Aqueles que são ficção representam-nos a nós, humanos. E essa representação agrada-nos de uma forma que não conseguimos expressar. E buscamos essa representação na nossa realidade, lutamos imaginando que somos o herói daquele livro que lemos e se ele conseguiu, então nós também conseguimos.
Uma das coisas que fui percebendo ao longo dos anos é que nós encaramos a vida como uma história. A diferença é que nesta, nós somos os protagonistas. E, aqui, não conseguimos prever o final. Não será por isso que admiramos tanto tudo o que envolve os heróis? Porque é o único final em que sabemos o que vai acontecer realmente? Talvez a ideia do bem triunfar sempre nas histórias nos faça querer ser heróis como os que lemos, mesmo que às vezes não o consigamos ser.

Publicado em Repórter Sombra.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Jimmy P: «Acho que é muito difícil tu fazeres um bom tema de rap se não tiveres profundidade nas palavras.»

quinta-feira, agosto 10, 2017 8 Comments
No passado dia 3, começou a edição deste ano do Festival da Francesinhaem Peso da Régua. Foram quatro noites nas quais pudemos ver atuar Quim Barreiros, Matias Damásio, Jimmy P e Mickael Carreira.

Na noite de sábado, dia 5, foi a vez de Jimmy P subir ao palco. O cantor lançou, em 2016, o álbum Essência e, alguns minutos antes do concerto, falou-nos um pouco acerca da sua música e do seu percurso.

Fotografia: Sofia Rodrigues

Boa noite! O Jimmy diz que o poder da rima vai ser sempre central na sua música. Porquê?
Porque acho que isso é uma característica do género, portanto, acho que o rap é, sobretudo, um género que incide sobre a palavra. Aliás, neste caso, tudo o que envolve o universo musical no hip hop acho que tem sempre a prevalência da palavra, daí eu ter dito isso. Acho que é muito difícil tu fazeres um bom tema de rap se não tiveres profundidade nas palavras.

Sendo filho de um futebolista e tendo vindo para Portugal para jogar futebol, porque é que optou pela música?
Não foi uma opção premeditada. Eu vim para cá com o objetivo de jogar futebol, mas foi nessa altura que eu descobri a música como executante, como intérprete e como criador. E, felizmente, percebi atempadamente que se calhar gostava mais de fazer música do que de jogar futebol, apesar de ser apaixonado por futebol. Tenho muito mais prazer em fazer música do que tinha a jogar e a treinar na altura. Portanto, foi uma consequência natural da minha vinda para cá. Ou seja, ao vir para cá percebi que, sim, gostava mais de fazer música.

E ao longo deste tempo, o que é que foi mudando para o seu estilo de música ser ainda mais seu e destacá-lo dos restantes artistas?
Eu acho que para as pessoas que conhecem o rap, e para as que têm uma primeira impressão daquilo que é o rap como género, existem muitas ideias pré-concebidas daquilo que é o rap e elas existem por alguma razão. Existem algumas coisas que se associam ao rap, como o facto de algumas músicas terem algumas expressões que se associam à homofobia ou denegrirem as mulheres ou ser uma mensagem demasiado materialista... Portanto, existem pequenos pormenores que são reais e que fazem com que as pessoas tenham essa perceção. E naquilo que me diz respeito, eu pretendo que a minha música não seja nada disso, ou seja, o que eu pretendo veicular são coisas saudáveis para as pessoas que ouvem. Não pretendo, de todo, ser uma pessoa que veicula essas ideias pré-concebidas que as pessoas associam ao rap. Assim, a música que eu faço tem muita melodia. Tem uma coisa que habitualmente não se vê no rap. Eu tento fazer música verdadeiramente, ou seja, rodear-me de músicos, fazer arranjos... Pegar no rap e transformá-lo numa canção.

Numa letra diz “Entre as estrelas vens ensinar-me a sorrir”. Toda a gente canta esta música, porque ela tem um significado especial. Todos a sentimos de alguma forma. Para si é importante que a música seja isso: transmitir uma mensagem com que as pessoas se identifiquem?
Eu acho que isso é o mais importante. Acho que isso é o propósito maior de fazer música. Aliás, eu acredito que, muito mais do que as pessoas baterem palmas ou gritarem, o que importa é fazeres a diferença na vida delas de alguma forma. E o meu percurso tem-me ensinado isso, que a música que eu faço é extremamente pessoal. Não estou habituado a fazer música ou a falar de coisas que não me dizem respeito. Então, eu partilho histórias e coisas que me dizem respeito e, felizmente, as pessoas conseguem identificar-se e rever-se nelas. No caso deste tema, a verdade é que foi uma letra que eu escrevi num espaço de duas horas, a fazer uma viagem de Londres para o Porto, porque foi o período em que fui lá para estar com uma pessoa que me era muito querida e que estava nos últimos dias de vida. No fundo, esse sou eu a expressar uma experiência que me foi profundamente traumática e essa música, para mim, teve uma função terapêutica. Não esperava sequer que se tornasse naquilo que se tornou.

É a primeira vez que está a atuar aqui, em Peso da Régua... Quais as expectativas?
É! Já estive para vir cá noutra ocasião, mas o concerto acabou por não se concretizar e, para ser sincero, já tenho alguma expectativa. Porque eu costumo vir aqui algumas vezes passar alguns dias com a minha família, no Pinhão, e gosto muito desta zona. E gosto muito dos vinhos que fazem aqui (risos). Portanto, já tinha alguma expectativa em vir aqui, porque tenho sempre alguma curiosidade em saber como é que vai ser e como é que as pessoas vão reagir. Vamos ver.

Jimmy, qual é a sua Essência?
Essa é uma pergunta um bocado difícil de responder. Aliás, quando nos fazem perguntas sobre nós é sempre mais difícil de responder. Mas, resumindo, eu acho que aquilo que eu procuro ser é sempre o mais sincero e o mais honesto possível naquilo que faço, porque não gosto de ser enganado pelas pessoas e também não gosto de enganar as pessoas. Então, na música que eu faço, o que eu procuro é ser o mais sincero e mais honesto possível e, no fundo, só espero que as pessoas se consigam rever e apropriar-se daquilo que eu estou a transmitir.


Jimmy P e a sua equipa subiram ao palco pouco antes das 23h. O público vibrou e respondeu. Uma noite repleta de energia e boa música naquela que foi a terceira noite do Festival da Francesinha, em Peso da Régua.


quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Quim Barreiros: «Nós vamos no caminho que nos ensinaram, corre bem e não largamos mais.»

quarta-feira, agosto 09, 2017 8 Comments
No passado dia 3, começou a edição deste ano do Festival da Francesinha, em Peso da Régua. Foram quatro noites nas quais pudemos ver atuar Quim Barreiros, Matias Damásio, Jimmy P e Mickael Carreira.

Alguns minutos antes do concerto, tive a oportunidade de estar à conversa com Quim Barreiros que, entre beijinhos e fotografias com os que por ali passavam, respondeu a cada questão com uma boa disposição contagiante e um sentido de humor único. 

Fotografia: Diana Costa

Boa noite! O Quim é o maior ícone da música popular portuguesa. Qual é o segredo para continuar a ter tanto sucesso após tantos anos?
O bacalhau! E continuar a gostar do bacalhau (risos).

O Quim é muito conhecido pelas suas letras de duplo sentido. Já é uma coisa que veio de sempre ou foi um gosto que foi surgindo?
Nasce! O duplo sentido faz parte da nossa língua, da nossa cultura... É um ramo da nossa Literatura Portuguesa.

E sempre teve esse gosto desde pequeno...
Sempre! Sempre tive essa “pancada” da brincadeira, de utilizar as palavras para uma cantiga. Sempre tive esse dom.

E começou a tocar acordeão com o seu pai o que, de certa forma, atribui um valor sentimental ao instrumento.
E não só. Isto é como se diz “filho de peixe sabe nadar”.

A minha pergunta vai mesmo nesse sentido. O facto de ter esse valor sentimental para si faz com que, em parte por causa disso, nunca mais tenha largado o acordeão?
Nós vamos no caminho que nos ensinaram, corre bem e não largamos mais. Eu não sou aquele tipo de filho que os pais têm um restaurante e o restaurante trabalha muito bem e o filho não quer porque é do pai. É a minha profissão, gosto daquilo que faço e, portanto, foi o que segui.

Fotografia: Diana Costa

Por onde passa, o Quim ouve toda a gente a cantar as suas músicas. E para si, qual foi a música que lhe deu mais gosto escrever ou que canta mais no seu dia a dia?
Tenho várias, mas o “Mestre da Culinária”, principalmente.

Porquê?
Porque foi uma música que “entrou” bem no público português. Uma música genuína, autêntica e é uma música minha. E depois há outras. Há crianças que gostam mais do “Pito Mau” e outras que preferem o “ O melhor dia para casar”.

As crianças também são uma questão bastante importante. Como se sente ao chegar a um público tão exigente?
Acho giro eles gostarem da minha música (sorri). Não só as crianças, mas também os adolescentes e os mais velhos. Acho muito giro.

Quais as expectativas para esta noite, Quim?
Isto é como num jogo de futebol: nunca se sabe o resultado (risos). Eu vou fazer o meu melhor. Agora o resto, minha querida, vamos ver!


Às 22h45, Quim cumpriu o que prometeu. Deu o seu melhor e trouxe animação, dança e muito boa disposição ao Festival da Francesinha.



segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Workshop de Voz e Locução

segunda-feira, agosto 07, 2017 8 Comments
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Está prestes a fazer um mês e eu não podia não partilhar com vocês aquela que foi uma das melhores experiências que já vivi.
No passado mês de julho, peguei na mochila e viajei para Lisboa para fazer um workshop de Voz e Locução, com o jornalista Marcos Pinto. O workshop durou 6h e valeu super a pena! Estivemos a falar sobre os cuidados a ter com a voz e a fazer vários exercícios de relaxamento, respiração, postura e sonorização. Fizemos também alguns exercícios de locução e escrevemos o nosso próprio guião para um programa de rádio. Foi excelente.
Como sabem, quero muito fazer rádio e a verdade é que este workshop foi uma mais valia para o meu futuro porque aprendi imenso. Aliás, tenho tentado seguir os conselhos que lá ouvi todos os dias. O Marcos é um profissional fantástico e soube chegar até nós de uma forma simplesmente surpreendente. Foi, sem dúvida, um privilégio aprender tanto com ele. 
Posto isto, só vos posso dizer que esta foi, sem dúvida, das melhores experiências que já tive até hoje, e se um algum de vocês gosta de rádio, este é um workshop que têm mesmo de fazer! É uma aprendizagem única. Daquele domingo memorável guardo, principalmente, a frase que o Marcos proferiu no início do workshop e que repito a mim mesma todos os dias: "Cada um de vocês tem a melhor voz do mundo". 
Passado um mês, são muitas as recordações que ficam. Mas fica, sobretudo, a certeza de que um dia pretendo voltar. Lisboa, I can't wait to see you again <3


quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Fernando Ferrão: «Nós pecamos mais pelo exagero do que pela falta dele, porque se for por falta dele fica tudo sem energia.»

quinta-feira, agosto 03, 2017 15 Comments

A peça Loucura dos 50 apresenta-nos uma viagem cómica ao universo dos homens de cinquenta anos. Durante, aproximadamente, uma hora e meia são-nos apresentados os seus problemas e desejos, para além de muita gabarolice.
Esta peça com Joaquim Nicolau, António Melo, Almeno Gonçalves e Fernando Ferrão conta a história de quatro amigos que se encontram numa noite para comemorar a festa do 50º aniversário de Quim Fonseca.

 A Loucura dos 50 veio ao AUDIR, em Peso da Régua, e eu tive a oportunidade de conversar um pouco com o ator Fernando Ferrão.


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Durante o espetáculo faz-se uma viagem cómica que, ao mesmo tempo, acaba por ser real. O que eu lhe queria perguntar é: quando o público sai da peça, o que é que ele deve levar de lá?
Isto é uma comédia que acontece em muitos homens. Chegam a uma certa altura, aos 50 anos, e ficam sem mulheres, sem trabalho e depois isto é uma gabarolice entre eles para ver quem é o melhor e quem é que faz mais coisas. Também falamos de doenças, de traições... Tudo levado para a comédia mas as pessoas ficam a pensar que realmente aquilo acontece. E acontece em muitas casas.

E o que é que as pessoas vos têm dito sobre a peça?
As pessoas dizem que gostam muito e que se divertem muito. Já andamos com esta peça há quatro anos e agora vamos estrear outra.

Quando estamos a ver uma peça temos muito a perceção daquilo que está acontecer em cima do palco. Mas há todo um trabalho por trás. Quanto tempo uma peça destas demora a ser preparada?
Três/quatro meses de ensaios.

E como são preparadas as personagens?
As personagens vão surgindo à medida que nós vamos ensaiando. Estamos a fazer um ensaio de leitura e quando começamos a fazer a encenação vão surgindo coisas que nós aproveitamos. Umas são aproveitadas, outras não. E, quando estamos a ensaiar, exageramos a maior parte da encenação. Nós pecamos mais pelo exagero do que pela falta dele, porque se for por falta dele fica tudo sem energia.

Então, em palco, muitas das coisas acabam por ser improviso.
No palco há situações em que também nos rimos uns dos outros. Há coisas que já estamos à espera que vão acontecer e nós rimo-nos porque sabemos aquilo que vai acontecer.

Um bocadinho das personagens que estão em palco não é também o ator que está por trás delas?
Não tem nada a ver. Nós na vida real não somos assim, são só personagens. No caso, eu sou só o Fernando a representar um personagem chamado “António”.

Mas acaba por pôr um bocadinho da sua forma de representar na personagem, o que acaba por torná-la sua, de certa forma.
Sim. Há muitas coisas que eu faço que vou buscar a mim e àquilo que eu sei e que transporto para o personagem e que resultam.

É mais fácil trabalhar com amigos?
É mas já estou farto de trabalhar com eles (risos).

Já são muitos anos. (risos)
Já são 15 anos, sempre os quatro a trabalhar. Começámos com a Crise dos 40, já fizemos mais umas cinco e vamos estrear mais outra e já não os aguento (risos). Mas somos muito amigos.

E já sabe como lidar com eles.
A nossa relação em palco já é tão grande que, muitas vezes, basta um olhar para perceber o que o outro vai dizer a seguir. E se não souber o que vai dizer a seguir, basta um olhar de aflição que o outro pega na história.

Fernando, a loucura aparece mesmo aos 50 ou evidencia-se nessa idade?
Isto vem na sequência de uma peça que nós fizemos chamada Crise dos 40. Aos cinquenta, já é um bocadinho diferente. Aos cinquenta, falamos de disfunção erétil porque a mulher tem cinquenta anos. Mas depois também há mulheres de cinquenta anos que são bonitas... E esta peça acaba por surgir numa gabarolice entre quatro homens que pega nestes temas.





Terminada esta entrevista, resta-me agradecer ao Fernando por ter aceitado responder às minhas questões e por toda a sua disponibilidade.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Até logo, Diamond!

Obrigada pela visita!
Volta Sempre :)